
SANGUESSUGA
Até transporte escolar
Investigações em prefeituras de MT mostram que máfia também fraudava licitação para compra de ônibus usados na Educação
RODRIGO VARGAS
Da Reportagem
Irregularidades em convênios entre o Ministério da Educação e nove prefeituras de Mato Grosso abriram uma nova linha de investigação sobre as ações da quadrilha desmontada pela Operação Sanguessuga. Os valores apurados, que se destinavam à compra de veículos para o transporte escolar, superam os R$ 500 mil.
De acordo com um levantamento divulgado pela Controladoria Geral da União (CGU) - obtido a partir de seu programa de fiscalização por sorteios públicos -, os indícios apontam para a participação de sete empresas relacionadas diretamente ao esquema montado a partir do grupo Planam, liderado pelo empresário Darci José Vedoin.
A CGU detectou nos convênios com o MEC os mesmos procedimentos empregados no esquema de desvio de recursos destinados à compra de ambulâncias: licitações fraudulentas, entrega de veículos em desacordo com o solicitado em edital e a liberação de valores mesmo antes da entrega.
A suspeita foi confirmada pelo procurador da República Mário Lúcio Avelar, e pelo delegado da Polícia Federal, Tardelli Boaventura, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Sanguessugas, na última terça-feira.
A reportagem teve acesso à informações referentes a oito dos nove municípios que caíram na malha fina. O relatório sobre Nova Brasilândia, que também teria irregularidades semelhantes, será divulgado nos próximos dias.
Das nove licitações investigadas, oito foram vencidas pela Santa Maria Comércio e Representação Ltda, empresa de fachada aberta pelo empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin, que é sócio-proprietário da Planam Comércio e Representações Ltda - vencedora da licitação restante.
As demais empresas citadas foram a Torino Comércio de Veículos Ltda, Ideal Automóveis Ltda, Esteves e Anjos Ltda, Enir Rodrigues de Jesus EPP e Unisau Comércio e Indústria Ltda. Esta última, de acordo com as investigações da PF, seria vinculada ao empresário Ronildo Pereira Medeiros, acusado de também integrar o esquema.
IRREGULARIDADES – O maior número de convênios suspeitos foi encontrado pela CGU na prefeitura de Pontes e Lacerda (483 quilômetros de Cuiabá). No período entre 2001 e 2003, foram realizadas duas licitações para a compra de ônibus escolares.
Uma delas foi vencida pela Santa Maria, tendo como concorrentes as empresas Torino e Enir Rodrigues de Jesus. Outra foi vencida pela Planam, superando as propostas da Unisau e da Esteves e Anjos. Ao todo, a prefeitura pagou R$ 146 mil. Mas não levou.
De acorro com a CGU, em um dos casos o veículo entregue tinha mais de um ano de uso - quando o edital exigia um modelo zero quilômetro. No outro processo licitatório, o ônibus adquirido, mesmo após o pagamento de uma parcela de R$ 50 mil, não havia sido entregue. As irregularidades envolvendo as verbas destinadas ao transporte escolar foram descobertas a partir dos sorteios do programa de fiscalização especial da CGU. Iniciado em 2003, o programa já submeteu mais de mil municípios a uma operação pente fino em convênios federais.
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As coisas estão bem claras lá em Mato Grosso. Quem leu a matéria viu as datas de quando foram liberados os recursos e feitas as licitações fraudulentas. Aqui em São Paulo havia um irmão de um envolvido que atuava tanto na saúde como na educação, cobrava um pouco mais caro, mas vendia o pacote completo.
Para confirmar é simples: abrir as contas da prefeituras e criar um banco de dados onde se cruzem todas as compras de ônibus, de ambulâncias e equipamentos de saúde, e verificar os vencedores e os preços praticados. Depois disso é só chamar os responsáveis para conversar na polícia federal que eles abrem o bico rapidinho.

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