quinta-feira, outubro 26, 2006

Deu no blog do Estadão

PSDB discute balanço para o dia seguinte

por Paulo Moreira Leite, Seção: brasil às 07:31:56.

Caso as urnas venham a confirmar aquilo que as pesquisas anunciam, o dia seguinte vai alimentar muitas discussões no PSDB. Com a experiência de quem já viu muita candidatura maravilhosa se espatifar na reta final, o deputado Miro Teixeira adora lembrar sempre que eleição tem véspera. Ele tem razão.

Mas o fato é que os próprios tucanos já discutem o pleito no passado. Entre mortos e feridos, salvou-se o candidato. Há um consenso de que Alckmin até que foi longe, diante de circunstâncias claramente desfavoráveis desde o início. O simples fato de ter conseguido chegar ao segundo turno -- com auxílio indispensável da equipe tabajara do PT, é claro -- já é apontado como prova de que teve um bom desempenho.

Mas Alckmin não conseguiu mostrar perfil de um político de estatura nacional, o que pode limitar seus projetos de vôo no futuro. Fez uma campanha de governador e não apresentou uma visão de país. Manteve distância da herança tucana -- nem chegou a defender as privatizações com a ênfase esperada -- mas não construiu uma idéia alternativa. Uma aposta para breve? Conforme me disse um tucano de altíssima plumagem: se as pesquisas forem confirmadas Alckmin sái da campanha como o melhor nome tucano para disputar a prefeitura de São Paulo em 2008 -- se quiser. "Pode parecer pouco agora, mas será a grande eleição daqui a dois anos," explica.

Há dois outros temas para o balanço. Um deles promete não levar a lugar nenhum: trata-se do desempenho de Luiz Gonzalez, que, como está escrito no contrato de trabalho de todo marqueteiro, de qualquer partido, em caso de derrota sempre lhe cabe parte da culpa. Outro tema é relevante e pode conduzir a 2010. Ouvi críticas ao excesso de "paulistização" da campanha de Alckmin, que não teria dado espaço para conselheiros de outros pontos do país e por isso não foi capaz de diminuir a vantagem absurda que as pesquisas davam a Lula no Nordeste. É uma crítica que engrossa o coro anti-São Paulo, um dos combusíveis da caravana do mineiro Aécio Neves contra José Serra -- a verdadeira agenda do PSDB depois de domingo.

Nenhum comentário: